Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Novembro 16 2009

Guardo ainda uma lágrima para ti

se fores primeiro

e eu não tiver o coração empedernido...

 

Para ti que abusando do poder

foste insensato e desordeiro

ordenando actos sem qualquer sentido.

 

 

Enquanto passeavas nas alfombras

dum quarto de suave temperatura,

morriam inocentes sob as bombas

da guerra que tu tinhas decretado

num gesto de loucura!

 

 

Acaso visitaste Abhu Graíb

e viste o sangue em poças pelo chão?

Ou tens a mente turva que te inibe

de ver que aquele humano era um irmão?

 

 

E ainda foste ter um outro engano:

- Um Guantânamo cheio

de gente que sofria a dor, tortura,

perdendo até talvez noção do tempo

sem ter (ou quase sem) um julgamento

pelo meio.

 

 

Foste à loucura!

 

 

Eu sei, perdeste as torres...

- Um fundamentalista como tu

e sem razão!

(Talvez te dê alguma quando corres

para o Afeganistão...)

 

 

Mas o Iraque, nunca!

E se o outro, com o ódio que a alma junca

matou quase três mil inocentes,

tu entre militares e outras gentes

já tens de responder por um milhão!

 

 

O mundo não era teu,

seu sem-vergonha!

Não tinhas de largar tua peçonha!

Sabias não haver armas maciças!

Não basta ergueres os olhos para o céu

mostrando a quem crês, a comoção,

pedindo (se é que pedes) o perdão

orando em missas!

 

 

Guardo ainda uma lágrima para ti...

Não que a mereças!!!

Mas de feliz por mais tranquilo, aqui,

sabendo depois já não haver

mais crimes que tu teças.

 

 

Uma lágrima, quem sabe... até de pena...

Tu estavas louco!

Daí eu dedicar-te este poema

com fraco jeito,

mas com o coração dentro do peito,

agora já mais livre do sufoco.

 

Joaquim Sustelo

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 20:54

Novembro 16 2009

 

 
Uma lágrima
Pelo teu rosto deslizava...
Era como uma gota de orvalho
Suspensa na pétala duma flor…
Era como uma pérola
Delicada e formosa
Que guardo no meu coração…
 
2009/11/16
publicado por milualves às 19:14

Novembro 16 2009

 

Amou e quanto amou na sua juventude, aquela mãe solteira, que hoje vê no seu filho, o alicerce do seu refúgio.
 
Sofreu por tanto amar, sem nunca ter sido correspondida, no seu valor de tanto amar. Tantas promessas e juras lhe foram feitas.
 
Um dia, recebeu uma carta vinda do estrangeiro.
Para desgosto seu, o pai do seu filho que estava para nascer, despedia-se dela para sempre, como que alheio a tudo de que era cúmplice.
 
Era véspera de Natal. No seu ventre guardava o fruto de seu grande amor, que tanto a fez sofrer e chorar. Contudo, ela esperava com ânsia e esperança, a hora em que o seu filho iria nascer, para alegria sua.
 
Tocavam os sinos na Igreja mais próxima da Aldeia, enquanto que ela sentia as primeiras dores do parto.
Uma aldeã, sabedora do assunto, consolava-a com palavras de carinho e fé.
Soavam as doze badaladas da meia-noite quando o seu menino nasceu. O seu “ai Jesus”!
 
Tinha também nascido o Filho de Deus e de Nossa Senhora – o Menino Jesus de Nazaré.
A mesma Estrela iluminava aqueles dois corações de Mãe, que enriquecia aquele amor maternal.
 
Por coincidência, ambos se chamavam Jesus, pois que era Natal. Aquela mãe solteira, deu sempre do seu melhor a seu filho, com a ajuda de Deus e de Nossa Senhora.
 
Cresceu, fez-se um homem de bem. Casou, teve filhos e nunca abandonou a sua mãe a quem prometeu juramento.
 
Muitos anos se passaram e todos os anos, pelo Natal, ele tinha por hábito, oferecer a Ceia Natalícia, a quem lhe chegasse à porta, a todos os desprotegidos de sorte.
Tinha sempre uma Ceia e uma palavra de estímulo, sempre com o pai desconhecido na lembrança.
 
Um belo Natal, mais uma Ceia a distribuir e lá estava o Sr. Jesus a contemplar aquele quadro enternecedor.
Mas, ao olhar atenciosamente um mendigo que lhe era totalmente desconhecido, o seu coração estremeceu, como que a chamá-lo a atenção.
 
Conversaram amigavelmente, como se já se conhecessem. O homem contou-lhe toda a história da sua vida passada. Chorou como que arrependido e sem ter volta.
Foi então que ficou sabendo que estava a receber uma esmola do seu próprio filho., cuja mãe já tinha falecido há anos.
 
Foi o destino que os uniu naquele Natal distante.
Abraçaram-se com lágrimas nos olhos, ao que o pai se confessou arrependido, mas ter sido o Natal mais feliz da sua vida - numa lição preciosa…
 
Natal/2009
publicado por milualves às 19:03

Novembro 16 2009

 

Recordo com tristeza todo o amor
Que um dia te ofereci e que aceitaste.
Mas quanto desespero, quanta dor
Em troca desse amor tu me ofertaste!
 
As minhas ilusões já as perdi
Amargurada vejo a realidade.
A esp’rança para mim já não sorri
Em seu lugar encontro falsidade.
 
A solidão quer invadir minh’alma.
Mas lutarei para encontrar a calma
Pedindo a Deus para guiar meus passos.
 
Confortarei meu coração em ferida.
Serei vencedora – e não vencida! –
se p’ra sempre esquecer os meus fracassos.
publicado por milualves às 17:25

Novembro 16 2009

 

Não podendo estar presente no VáVá quero aqui deixar o meu modesto contributo.
Tentei seguir, (no que diz respeito à métrica e rima), a mesma linha utilizada pelo mestre Guerra Junqueiro no seu poema a lágrima. Desculpem-me a pretensão!
 
 
Lágrima de dor
 
Noite, frio, soluços! Uma porta batida
por outro alguém que sai como quem sai de fugida.
Uma lágrima cai entre dois lençóis bordados.
Lágrima de dor nascida duns olhos cansados.
Sobre uma cama deserta d’amor e paixão
um corpo se estende como em funéreo caixão.
O relógio da sala bate as horas, raivoso,
e o tempo sobe às paredes, danado e teimoso.
Relampeja, troveja, está chovendo lá fora…
o choro prossegue e a solidão não demora.
Mais uma que cai, mais uma lágrima sentida…
e muitas outras se seguem de forma incontida.
Sem glória, brilho e cor, se anuncia o dia
Quando a ultima lágrima, enfim, se evadia
e molhava os lábios secos que a mágoa gretara.
A rosa rubra perdera seu viço… murchara!
Uma moldura jazia, vazia, no chão.
Cacos de vidro espalhados… um corte na mão…
uma brasa que, nas cinzas, sufoca e morre.
Outra lágrima, viva, teimosamente escorre
regando-lhe o alvo colo sedento de amor.
Acordam os sinos… toca o despertador.
Alguém apregoa, na rua, jogo e jornais…
dando voz às notícias sobre factos banais.
Outra voz que se escuta… uma voz de criança!
Gargalhadas lá fora e lá dentro a esperança.
As batidas na porta fazem-lhe eco no peito,
o corpo reage e se levanta do leito.
Os olhos se alegram e o sorriso no rosto
elimina, do mesmo, os sinais de desgosto.
A surpresa é amarga e acentua a tristeza
afogando-lhe a alma no mar da incerteza.
- Porque choras, mulher, indaga alguém ao entrar.
Tu és bela e completa, não precisas chorar!
Um lenço de cambraia nos seus olhos poisou…
uma lágrima, no lenço, marcada ficou.
Uma reza, um afago, e a fé renasceu
pelas mãos de Jesus que, por bondade, a benzeu.
 
Abgalvão
publicado por palavrasaladas às 17:10
editado por mariaivonevairinho em 17/11/2009 às 19:58

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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